Ilustração em preto, bege e vermelho de Lula com chapéu de couro, faixa presidencial e multidão com bandeiras

Guga Scarpatti

Nordes
tinidade

A trajetória de um brasileiro

No Nordeste, o corpo sempre foi o primeiro documento da gente pobre. Esta é a história de um corpo que virou registro da República.

Capa do livro Nordestinidade, de Guga Scarpatti

Sinopse

Existe uma fotografia que não foi tirada

A mão esquerda de um operário de dezoito anos sobre o torno, numa madrugada de 1964, com um dedo a menos. É por essa imagem ausente que este livro começa.

Guga Scarpatti partiu de uma pergunta simples: o que um menino nascido numa casa de chão de terra batida, filho de analfabetos, aprendeu sobre o Brasil? E voltou com uma tese dura: antes do registro, o corpo dizia a idade pela força do braço, a origem pela pronúncia, o ofício pelas calosidades, a fome pela magreza.

Escrito por um autor que nasceu no interior da Bahia e reconheceu, nas cenas que narra, a própria infância, Nordestinidade atravessa a seca de 1945, os treze dias de pau-de-arara, o Senai, a prensa, a assembleia de Vila Euclides, três derrotas seguidas, dois cárceres, e chega à noite de 25 de outubro de 2026.

A nordestinidade, no fim, não é uma região. É uma forma de insistir.

Nordestinidade

O percurso

Oito décadas, um corpo

  1. 1945

    A seca

    Um menino nasce numa casa de chão de terra batida, filho de analfabetos, no agreste pernambucano.

  2. 1952

    Treze dias

    A mãe vende tudo e atravessa o país num pau-de-arara até o litoral paulista.

  3. 1964

    A prensa

    Aos dezoito anos, sobre o torno, o operário perde um dedo numa madrugada de fábrica.

  4. 1979

    Vila Euclides

    As assembleias do ABC transformam o metalúrgico em voz de uma multidão.

  5. 2018

    O cárcere

    Três derrotas seguidas, duas vitórias, dois cárceres, e a volta.

  6. 2026

    25 de outubro

    A palavra retirante deixa de ser insulto e é pronunciada como credencial.

Não é panegírico

Os erros, as derrotas e as contradições estão no livro, com a mesma régua das vitórias.

Não é libelo

Pessoas vivas aparecem apenas por fatos de registro público, sempre com fonte.

É leitura

Escrito devagar, conferindo cada palavra, para que a memória de um povo não vire legenda fácil.

O autor

Guga Scarpatti

Nasceu em Velame, vilarejo no interior da Bahia que não aparece nos mapas econômicos do país. Aprendeu a medir o tempo pela chuva e a desenhar com restos de giz catados no lixo de uma escola da qual ainda não era aluno.

Engenheiro mecânico, artista e tatuador desde 2017, com mais de cinquenta premiações no Brasil e no exterior. Publicou em 2026 Sentindo na Pele: a arte de transformar cicatrizes em propósito. Nordestinidade é seu segundo livro.

“Quem tatua aprende cedo que a pele é arquivo.”

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